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10.09.2014

* Empresa familiar põe Estado no mapa do azeite

fonte: http://jcrs.uol.com.br

Ainda que o Brasil seja um dos 10 maiores mercados consumidores de azeite de oliva do mundo, segundo a Associação dos Olivicultores do Sul do Brasil (Olisul), o País nunca teve tradição na produção comercial de azeitonas. A mudança nessa história, iniciada há poucos anos, tem como uma de suas principais personagens a Olivas do Sul. Criada em 2006, a empresa familiar localizada em Cachoeira do Sul se autodenomina a primeira a produzir e comercializar azeite em território nacional, obtendo sucesso na empreitada pioneira graças a pesquisas.

A trajetória da empresa que, segundo um dos sócios, Daniel Aued, surgiu do hobby de seu pai, José Alberto, pela fabricação de vinhos e espumantes, rumaria para a cultura até então pouco explorada na busca de melhor rentabilização da propriedade de 12 hectares. Depois de flertar com as frutas secas, ideia abandonada pela falta de bibliografia, a opção acabaria sendo pelas oliveiras, já presentes em outros países da América do Sul. “Sempre ficávamos com aquela indagação de que, se a olivicultura funciona no Chile e na Argentina, por que aqui no Estado nunca tivemos um caso de sucesso?”, comenta Aued.

A solução encontrada pela empresa para esse dilema surgiria, conta o sócio, graças a viagens e estudos a partir de bibliografia importada da Europa, muitas vezes lida com dicionários ao lado. As características únicas do solo brasileiro, porém, receberiam atenção graças a parcerias com universidades gaúchas e italianas, principalmente com o Laboratório de Solos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). “Já tínhamos tido diversas tentativas de implantar a olivicultura no Brasil, mas nenhuma delas havia prosperado. Então, apostamos na correção de solo como um diferencial da olivicultura moderna no Rio Grande do Sul”, afirma Aued, que, assim como seu pai, é engenheiro por formação.

O desenvolvimento da técnica, que tornou viável a criação de um pomar a partir de mudas trazidas da Espanha, permitiu à empresa produzir azeite de alta qualidade totalmente nacional. Distribuídos em vários estados do Brasil, os produtos da Olivas do Sul, que somaram 15 mil litros na última safra, já não são suficientes para atender à demanda, segundo Aued, que sustenta que a busca pela qualidade é necessária para a sobrevivência de um pequeno negócio na área.

Mesmo incipiente no País, a produção comercial de azeitonas encontra terreno farto para expansão em solo brasileiro. Isso porque, atualmente, o Brasil não produz nem 1% do total necessário para atender as cerca de 80 mil toneladas de azeite e 100 mil toneladas de azeitonas de mesa consumidas aqui anualmente, segundo dados da Associação Rio-Grandense dos Olivicultores (Argos). Para atender à demanda, estima-se que seria necessária a plantação de pouco mais de 100 mil hectares de pomares.

Olivicultura tem espaço para crescimento no Brasil

Além disso, a tendência, segundo um dos sócios da Olivas do Sul, Daniel Aued, é de que o número continue aumentando, já que, de 2009 pra cá, o consumo per capita de azeite de oliva do brasileiro passou de 125 ml para 250 ml. “As projeções que se fazem são de que, daqui a quatro anos, o consumo dobre novamente”, afirma ele. O empresário também salienta os bons resultados obtidos pela Olivas do Sul em seus pomares, que entraram em produção com um tempo médio de três anos e meio, enquanto, na Itália, por exemplo, algumas variedades demoram de sete a oito anos para atingirem esse patamar. A maior umidade, maior riqueza do solo e um índice pluviométrico mais elevado no Rio Grande do Sul são creditados por Aued como responsáveis pela aceleração no processo.

De olho nisso, a empresa já plantou mais 13 hectares de pomares, que dobrarão a produção de azeite. Uma nova propriedade, que pode chegar a até 150 hectares plantados, também é aposta da Olivas do Sul para dar conta das necessidades do mercado pelo produto, além de possibilitar a entrada no segmento das azeitonas em conserva. “Esse conhecimento em relação às oliveiras não vai parar nunca”, afirma Aued, que viaja anualmente para outros países mais tradicionais na cultura em busca de novas técnicas. A defasagem entre produção e consumo no País é tão grande que a empresa ainda nem cogita buscar outros mercados. 

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