a história do azeite

A oliveira teve um importante papel dentro da história e aparece freqüentemente na mitologia, mas até hoje não se sabe ao certo a origem da sua história.

Os historiadores e estudiosos relatam que o primeiro indício de cultivo das oliveiras data de 6000 anos na Bacia do Mediterrâneo onde atualmente se encontram a Síria e a Palestina. Naquela época o azeite era usado como emoliente pra a pele e como combustível para as lamparinas.

Das margens do Mediterrâneo oriental, a oliveira, em seguida, se moveu para o oeste, criando raízes na ilha de Chipre, bem como na Anatólia, Creta e Egito.



rotas do azeite

Os egípcios consideravam o azeite de oliva símbolo de vida e fertilidade. Ramos de oliveira adornavam as tumbas dos faraós para acompanhá-los em sua viagem ao além. Já os fenícios, com seu comércio marítimo, contribuíram de forma significativa para tornar conhecido este precioso ‘ouro líquido’ a toda civilização do mediterrâneo, em particular a civilização grega.

O azeite de oliva se tornou um produto tão importante que logo surgiram lendas sobre sua origem divina. Um mito muito difundido conta sobre a disputa entre Atena, filha de Zeus e deusa da sabedoria e da guerra, e Poseidon, deus do mar. O mito narra que Zeus, indeciso entre qual das duas divindades deveria ser o regente de uma cidade que acabava de ser fundada, lançou um desafio: quem oferecesse a humanidade o bem mais útil, seria o vencedor.

Poseidon ofereceu um belo e forte cavalo e fez jorrar uma fonte de água do mar, como forma de dizer que seu povo seria navegador e guerreiro. Mas pelo julgamento dos deuses, a vencedora foi Atena, que fez germinar sobre a Acrópole uma oliveira, uma árvore imortal que daria frutos para serem usados como alimento, remédio e fonte de luz e calor. E isso não foi tudo. O conceito sacro ligado a esta planta se tornou tão importante que quem cortasse uma árvore seria condenado à morte ou ao exílio.

Até o século 16aC, os fenícios começaram a espalhar o azeite pelas ilhas gregas, onde ganharam importância na medida em que decretos regulamentaram o plantio e as leis levariam a morte ou ao exílio aquele que destruísse uma oliveira.


A oliveira cultivada já no século 15 a.C, se tornou um produto de base da economia grega e caracterizou a paisagem rochosa desse país. Os gregos usavam o óleo como alimento, medicamento, cosmético e os atletas ritualmente o espalhavam por todo o seu corpo. O seu brilho místico iluminou a história. A oliveira, símbolo de abundância, glória e paz, deu seus ramos para coroar a vitória em jogos olímpicos e o óleo de seus frutos ungiu as mais nobres das cabeças ao longo da história. Coroas de ramos de oliveira, emblemas de benção e purificação, foram oferecidas ritualmente aos deuses e figuras poderosas.

Os romanos, também como os gregos, revestiram esta planta de significados religiosos. A Bíblia narra no livro dos Gênesis um dos mais antigos testemunhos: depois do dilúvio universal, Noé esperou 7 dias para soltar uma pomba que depois retornou com um galho de oliveira no bico para anunciar o fim do dilúvio. Existem diversas outras passagens na Bíblia que cita as oliveiras, inclusive, elas foram testemunhas do sofrimento de Jesus Cristo no Getsemani, que significa ‘largar do azeite’, sobre o chamado Monte das Oliveiras, nos arredores de Jerusalém. Ainda hoje o óleo bento é usado no Batismo, na Crisma e para dar a extrema unção.

Além do Cristianismo, o judaísmo também utilizava o azeite nos sacrifícios, como uma divina unção ou para friccionar o corpo, antes de uma ocasião festiva. O azeite também era reconhecido como medicamente e na cultura judaica indicava o sentimento de alegria. A sua falta era sinônimo de tristeza, tanto que em tempo de luto ou de alguma calamidade, deixavam de usá-lo. Ainda hoje os judeus usam o puro azeite de oliva para iluminar o menorah no Hanukkah.

No século 6 aC árvores de oliveira já podiam ser encontradas na Tunisia, Tripoli, Sicília e sul da Itália.No Norte da África,os bárbaros foram conhecido por ter desenvolvido o cultivo de oliveiras selvagens ao longo dos territórios que ocupavam, e os romanos continuaram a sua expansão ao usá-los como uma arma pacífica, a fim de unir grupos de pessoas em todo o seu império.


Em tempos modernos, a oliveira passou para além do Mediterrâneo e pode ser encontrada em países tão longe de suas origens como Austrália, China,Estados Unidos e Argentina. As árvores que hoje conhecemos, com suas folhas alongadas e frutos carnosos de óleo, rico, foram provavelmente derivado de um cruzamento entre espécies diferentes e têm pouca semelhança com a sua selvagem e ancestral conhecida por civilizações de todo o mundo.

* Referências Bibliográficas: